Poemas , Livros de Ismênia Silva
sou som, sou luz, sou melodia — em cada traço, em cada dia, eu existo porque sou poesia.
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🌹 A Menina que Sonhava com um Amor de Novela

Desde menina, Clara acreditava no amor.

Não naquele amor simples, que chegava devagarinho, com roupa amassada, contas para pagar e dias difíceis. Ela sonhava com o amor das novelas: aquele que surgia acompanhado de uma música bonita, olhares demorados e encontros por acaso.

Todas as noites, depois que sua mãe ia dormir, Clara ficava diante da televisão, abraçada a uma almofada, imaginando que um dia alguém apareceria em sua vida exatamente como acontecia nas histórias.

Ele seria elegante, gentil e teria um sorriso capaz de fazer seu coração esquecer todos os problemas.

E, principalmente, saberia amá-la sem que ela precisasse pedir.

— Um dia eu vou viver uma história assim — dizia para si mesma.

O tempo passou.

Clara cresceu, mas não abandonou o sonho.

Conheceu alguns rapazes, viveu pequenos romances e colecionou algumas decepções. Nenhum deles parecia com o homem que ela havia imaginado.

Um era carinhoso, mas não sabia conversar.

Outro sabia falar palavras bonitas, mas desaparecia quando ela mais precisava.

Houve também aquele que chegou prometendo o mundo inteiro e, depois de conquistar seu coração, foi embora deixando apenas silêncio.

Clara chorou.

Por algumas noites, perguntou ao espelho:

— Será que o meu amor de novela nunca vai chegar?

Até que, certa tarde, cansada de esperar por uma história perfeita, ela resolveu caminhar sem destino.

Sentou-se em uma praça e ficou observando as pessoas.

Foi então que percebeu algo que nunca havia enxergado nas novelas.

Um casal de idosos atravessava a rua de mãos dadas. O homem caminhava devagar, respeitando o passo da mulher. Ela sorria para ele como quem ainda descobria motivos para amá-lo depois de tantos anos.

Mais adiante, uma mãe dividia um sorvete com o filho.

Um rapaz carregava as sacolas de uma senhora.

Um casal discutia baixinho e, minutos depois, estava rindo novamente.

Clara sorriu.

Talvez tivesse procurado o amor no lugar errado.

Ela havia passado a vida esperando por grandes cenas, quando o verdadeiro amor talvez estivesse escondido nas pequenas atitudes.

Naquele mesmo dia, conheceu Miguel.

Não houve música.

Não houve chuva.

Não houve encontro cinematográfico.

Ele simplesmente esbarrou nela ao tentar pegar um livro que havia caído de sua bolsa.

— Desculpe — disse ele, sorrindo.

Clara riu.

— Tudo bem.

E foi assim.

Sem roteiro.

Sem efeitos especiais.

Sem promessas impossíveis.

Miguel não era perfeito. Clara também não.

Eles tiveram dias difíceis, opiniões diferentes, silêncios e algumas lágrimas. Mas ele permanecia.

Quando ela estava triste, ele perguntava o que havia acontecido.

Quando ela tinha medo, segurava sua mão.

Quando ela sonhava, ele não ria dos seus sonhos.

E quando a vida apertava, os dois aprendiam a apertar as mãos um do outro ainda mais forte.

Certa noite, Clara estava novamente diante da televisão. Passava uma novela, e a protagonista vivia uma linda declaração de amor.

Miguel entrou na sala carregando duas xícaras de café.

— O que você está assistindo?

Clara olhou para ele e sorriu.

— Um amor de novela.

Ele sentou ao seu lado.

— E é bonito?

Clara encostou a cabeça em seu ombro.

— É.

Fez uma pausa e completou:

— Mas o nosso é melhor.

Miguel sorriu, sem entender.

— Por quê?

Clara segurou sua mão.

— Porque o amor da novela acaba quando termina o capítulo. O nosso continua quando a televisão desliga.

Naquela noite, Clara finalmente compreendeu.

Ela não precisava de um amor perfeito.

Precisava de um amor verdadeiro.

E descobriu que algumas das histórias mais bonitas não são escritas por roteiristas.

São escritas todos os dias, por duas pessoas que escolhem permanecer.

E foi assim que a menina que sonhava com um amor de novela descobriu que a vida real também podia ter finais felizes — desde que o amor tivesse coragem de continuar depois dos créditos. 🌹✨

Ismênia Silva
Enviado por Ismênia Silva em 07/09/2026
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