Saudades do Meu Velho
Por Ismênia Silva
Hoje a saudade bate diferente,
chega devagar, mas dói profundamente,
traz lembranças que o tempo não desfaz,
e um amor que dentro de mim permanece em paz.
Saudade do meu velho, meu querido pai,
daquele jeito bravo que a lembrança traz,
das nossas conversas, histórias sem fim,
e de tudo que ele representava para mim.
Quantas tardes sentados na sala,
e eu ouvindo sua voz, que ainda me embala,
contava histórias, falava da vida,
e eu guardava cada palavra querida.
O tempo passava e eu nem percebia,
pois perto dele a tarde sempre sorria,
eram momentos simples, mas cheios de valor,
que hoje moram no peito em forma de amor.
Tenho saudade de vê-lo na chácara,
cuidando da terra com sua alma sábia,
aguando as hortas, cuidando dos pés,
fazendo seu trabalho com força e fé.
Entre folhas, frutos, flores e chão,
ele deixava carinho em cada plantação,
e eu observava, mesmo sem dizer,
sem imaginar que um dia iria sofrer.
Saudade daquele homem trabalhador,
que mesmo sendo bravo tinha muito amor,
seu jeito severo fazia parte de você,
e hoje até disso eu sinto falta e posso dizer.
Ah, meu velho, se eu pudesse voltar,
voltaria para a sala só para te escutar,
sentaria ao seu lado, como antigamente,
e ouviria suas histórias novamente.
Queria ver você andando pelo quintal,
com seu jeito firme, tão especial,
mexendo na terra, olhando o pomar,
e cuidando de tudo sem nunca reclamar.
Queria ouvir sua voz me chamando,
ver seu olhar, mesmo quando estava brigando,
porque hoje compreendo, com a força da saudade,
que até suas broncas tinham sinceridade.
A vida passou, o tempo correu,
mas dentro do meu peito você não morreu,
porque pai que é amor não parte por inteiro,
fica eternamente no coração do filho verdadeiro.
E quando passo pela nossa chácara querida,
cada canto parece contar sua vida,
a horta, as árvores, o velho quintal,
tudo me lembra seu jeito especial.
Talvez o vento passe entre as folhas devagar,
como se fosse você querendo conversar,
talvez uma fruta caia no chão,
trazendo de volta uma antiga recordação.
E quando a tarde começa a cair,
eu sinto vontade de voltar a ouvir
aquelas histórias que eu tanto escutava,
e que hoje a saudade tão forte guardava.
Meu velho, meu pai, meu eterno herói,
a ausência aperta, a lembrança constrói,
um lugar dentro de mim que ninguém ocupará,
porque amor de pai o tempo nunca apagará.
Eu sinto saudade do homem bravo,
do trabalhador, do homem amado,
das tardes, da casa, da nossa rotina,
das pequenas coisas que hoje me fascinam.
Se pudesse lhe dar um abraço agora,
ficaria abraçada sem querer ir embora,
diria baixinho, com todo meu amor:
“Meu velho, você sempre será meu senhor.”
E talvez, lá do céu, onde Deus o acolheu,
você saiba o quanto meu coração sofreu,
mas também saiba, onde quer que esteja,
que sua filha ainda guarda sua presença.
Guardo suas histórias, guardo sua voz,
guardo os momentos que ficaram entre nós,
guardo a lembrança do seu caminhar,
e o homem que nunca deixarei de amar.
A saudade é grande, meu velho querido,
mas seu amor em mim continua vivo,
e enquanto eu respirar e meu coração bater,
uma parte de você sempre vai viver.
Porque pai não se perde quando parte daqui,
ele muda de morada, mas permanece em mim.
E quando a saudade apertar sem medida,
vou lembrar de você cuidando da vida.
Regando a horta, olhando o pomar,
sentado na sala pronto para conversar,
e eu, sua filha, ali tão contente,
ouvindo suas histórias novamente.
Ah, meu velho… quanta saudade!
Saudade que dói, mas também traz verdade:
eu tive um pai, tive amor, tive história,
e você, meu velho, vive na minha memória.
E enquanto existir céu, estrelas e luar,
em algum cantinho eu vou te procurar.
Mas dentro do peito, onde o amor não tem fim,
você continuará sempre vivo em mim. ❤️🕊️